segunda-feira, 18 de abril de 2016

Bom dia Guimarães Rosa:
O sertão é do tamanho do mundo.
Sertão é dentro da gente. O sertão é sem lugar. O sertão não tem janelas, nem portas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa. O sertão não chama ninguém às claras; mais, porém, se esconde e acena.
O sertão é uma espera enorme.
Sertão: quem sabe dele é urubu, gavião, gaivota, esses pássaros: eles estão sempre no alto, apalpando ares com pendurado pé, com o olhar remedindo a alegria e as misérias todas.
A vida é ingrata no macio de si; mas traz a esperança mesmo do meio do fel do desespero.
A vida é muito discordada. Tem partes. Tem artes. Tem as neblinas de Siruiz. Tem as caras todas do Cão e as vertentes do viver.
Manter firme uma opinião, na vontade do homem, em mundo transviável tão grande, é dificultoso.
Viver — não é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver mesmo.
Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães...
Feito flecha, feito fogo, feito faca.
Vi: o que guerreia é o bicho, não é o homem.


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Bom dia! Ana Jacomo!


E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Bom dia  Maria Flor:
Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.
Clarice Lispector

sexta-feira, 8 de abril de 2016

As ideias vieram deslizando de escrever o que pulsa. As letras arremessam as frases que ficam aqui dentro e, uma a uma, permanece sem fala sem som, sufocando aos poucos.  Coragem! Preciso descrever, preciso registrar,  preciso falar!
Preciso mostrar o que se passa aqui dentro. Mas as frases se mostram imperceptíveis. Não existe uma sequencia de começo, meio e fim. Não arranjo jeito de organizar as ideias.  A pontuação fica confusa. Mas a única coisa que consigo registrar e o que pulsa. Somente pulsa.  “O pulso ainda pulsa” como diria a canção dos titãs.

As batidas do meu coração insistem em permanecer, porque ainda carregam um riso bobo e um olhar estático. Relutam em bater, respiram fundo, olham para o alto mexo  o corpo e os ombros.  Ouso o coração em um ritmo que aumenta o tom a medida que o toc toc toc.  Insiste em bater.